terça-feira, 23 de maio de 2017

Série Inferno Astral: A Campainha.

Um dia, em uma rua, em uma manhã...
Um garoto (que vamos chamar de Bubu)  era um destes  desocupados que vivem para soltar pipa com cerol, pedir dinheiro para a vizinhança dizendo que a mãe que pediu, pedir o quilo do feijão no vizinho com a desculpa de poder garantir o almoço ( mas na verdade ele vai mesmo trocar com o dono da venda por linha e pipa). Então acho que vocês já entenderam  a peça. Uma bela manhã ele estava indo para a escola... , diga-se de passagem, que a razão de ir não era para aprender e sim para ficar longe de casa,  e passando em frente a casa de um vizinho da rua de cima logo notou que  a casa tinha ganhado uma campainha diferente  e resolveu fazer aquela brincadeira  mais ridícula e irritante  muito antiga passada de geração em geração conhecida como “ tocar a campainha e sair correndo” . Caso o leitor seja leito no assunto vou tentar ser o mais didático possível, a besteira brincadeira consiste em:
  — Espreitar a casa para ver se não há ninguém nas proximidades da casa como o próprio morador;
 — Apertar  o botão da dita cuja e sair correndo o mais rápido possível, podendo esconder-se em um local mas apropriado com  atrás de um poste  ou carro.;
 — E por fim rir igual um idiota do pobre morador que foi vitima da traquinagem.
Bubu dirigiu-se para o portão do vizinho e não viu ninguém nas proximidades, mas ouviu um barulho de alguém dentro da casa, era a oportunidade! Ele apertou o botão correu até ao poste da esquina com um raio e depois sentiu a adrenalina como se fosse um corredor dos 100 metros rasos. No recreio ele contou para  os colegas sua “façanha” dividindo opiniões.Alguns achavam muito engraçado  e  imaginavam qual era a cara do  dono da casa quando  olhou e não tinha ninguém  no portão ,  enquanto outros diziam que era uma brincadeira sem graça  e uma grande palhaçada.
Até que um colega perguntou qual era a casa e ele respondeu :
— A casa 7 cinza!
Neste momento os colegas chamaram um deles, o que estava rabiscando um caderno perto da janela e o inseriram na conversa, para contar o qual a experiência de quando pulou o muro da casa 7...
— Uma vez pulei o muro dessa casa para pegar uma pipa e foi nunca mais passar perto de lá! O lugar é muito estranho, ouvi um miado e não vi gato nenhum,  depois alguma coisa rasgou a pipa toda e não seu como algo me arranhou mas não vi nada, ai pulei para rua. Quando anoiteceu eu estava voltando da casa do Lucas vi um vulto de  um bicho parecido com um gato, mas com o olho vermelho,  no arco da garagem da casa olhando para mim ! Corri na hora e  nunca mais passo perto de  lá !
— Nada! Você esta inventando!
— Eu vi sim! E a minha irmã estava passeando com o namorado e viram um vulto passando no jardim da casa. É melhor não ficar brincando com a gente dessa casa!
Bubu deu de ombros para as advertências dos colegas e  resolveu repetir o feito,  indo para a frente da casa 7  e  reparou que o botão estava mais alto , o que levou a se esticar mais para alcançá-lo.
Quando estava prestes a alcançar o botão um rapaz que parecida estar fazendo uma corrida perguntou:
— E ai garotinho, tudo bem ?
— Tudo.
— O que você esta fazendo?
— Estou tentando apertar a campainha, mas, não alcanço. Você poderia me ajudar?
O garoto na verdade estava pensando em fazer o jovem apertar o botão e sair correndo, deixando o simpático rapaz a ver navios tentando dar explicação para o dono da casa.
— Você quer falar com o pessoal da casa? Posso te ajudar, qual seu nome?
—Sou o Bubu.
— Então você é o famoso Bubu que a vizinhança fala?
— Não conheço nenhum outro, tio.  O senhor estava correndo?
— O médico mandou, ele falou que era para melhorar a forma porque fico muito tempo em frente ao computador. Mas vou dar mais uma volta por ai, você que ajuda com alguma coisa?
O moleque retardado menino resolveu mudar de ideia e deixar a brincadeira para outra hora, afinal de contas o repaz parecia um cara legal e o risco de ser descoberto era grande no momento. Pediu licença e disse que iria voltar outra hora.
Naquele mesmo dia o garoto apertou a campainha e foi a mesma coisa no dia seguinte e nos três dias  foi a mesma brincadeira sem graça. E na ultima vez que resolveu fazer isso ele correu e se escondeu atrás de um poste na esquina, no momento que ele estava ofegante apareceu o homem gentil do outro dia.
— Oi Bubu, tá cansado por quê?
— Oi tio, eu tava brincando de campainha.
— Campainha? Como é essa brincadeira?
— É fácil tio, é só apertar a campainha e sair o mais rápido possível para não ser pego pelo dono da casa! Tem que ser muito ninja!
— Nossa, é você não tem medo de ser pego  e  o pessoal da sua casa saber que você esta incomodando o vizinho? Alias você mora aqui perto?
— Moro na casa três da rua de baixo, é uma casa com umas samambaias na frente. Mas o dono da casa 7 nunca vai saber! 
— É mesmo? ! Nunca vai saber?
— Nunquinha!
—E se ele chegar de boa e você começar a conversar com ele você dizer: “  Oi tio, eu tava brincando de campainha” e você disser onde mora e coisa e tal ...?
— Como é que é?
Neste momento o menino ficou pálido e  não passava nenhum pensamento , a não ser de  deu merda , agora me ferrei bonito  “deu ruim” e “ me pegaram”.
— Na verdade eu já desconfiava que não fosse alguém da minha rua,  mas tudo ficou mais claro quando fui caminhar mais cedo e  você estava lá, prestes a  tentar incomodar  alguém mais uma vez . Para evitar cometer um erro de julgamento resolvi dar uma de “boa gente” e dei uma chance para ver se cansaria, e me deixaria em paz. Adivinha só! Você voltou e vou contar tudo para sua mãe!
— Não tio, minha mãe vai me matar, dá uma chance!
— Eu não deveria, porém vou dar uma chance.
— Valeu, posso ir agora?
— Mas antes, você deve saber que enquanto não parar de ficar tocando minha campainha você irá saber da pior forma o que é ser incomodado...
Então o garoto foi para casa e deu de ombros para as palavras do homem, não pretendendo cumprir a promessa feita e a tocou mais uma vez. Foi dormir e quando acordou notou que o toque do celular da mãe estava muito alto que chegava a doer o ouvido.  No caminho da escola um colega gritou (como é de se esperar daquela gente que grita mesmo quando esta há poucos metros de você) e sentiu como se estivesse gritando direto na orelha.
— Fala  baixo ai, chegou a doer o ouvido!
— Esta com dor de ouvido? E ai, borá tocar a campainha daquela casa?
—Melhor não, eu já enjoei!
— Tranquilo ein! Olha só o que meu pai me deu, é um pouco de rojão que sobrou porque o flamengo perdeu e não deu para estourar ontem!
— Bora lá estourar no muro da escola depois da aula?
E lá se foram os dois e na escola  o Bubu estava entediado  quieto na sala deu aula pois a professora estava explicando o conteúdo quando um colega  começou a estourar bolinhas de cola escolar ( aquela brincadeira fazer uma bolha com cola branca que  parece com papel bolha , apesar  de não ser a mesma satisfação de estourar) . Então  Bubu começou a ficar incomodando com aquele barulho  alem de outro batendo uma caneta nos dentes , um estalava as juntas dos dedos , uma menina que ficava riscando a beirada do caderno  e  até o passarinho na arvore próxima da janela   da sala.
Quando estava prestes a pedir para todo mundo fazer silencio a aula acabou com o sinal do final da aula tocando... Como um gongo de luta livre dentro dos tímpanos do infeliz!
Quando a aula acabou o garoto resolveu ir para casa logo, mas o tal amigo que queria estourar uns rojões ficou enchendo a porra do saco insistindo em explodir os tijolos do muro da escola. Bubu acabou concordando, mas pediu para ficar de longe com os ouvidos tapados, pois disse que estava com dor de ouvido. Quando o rojão estourou o coitado   chegou a ouvir uma sirene dentre da cabeça, mesmo com os ouvidos tapados e a quase dez metros do lugar, o que o levou a ir para a farmácia pedir um remédio , mas o farmacêutico recusou vender qualquer remédio para ele sem receita médica. O moleque foi para casa e resolveu ficar quieto e dormir mais cedo para ver se melhorava, entretanto mal dormiu aquela noite por causa do barulho do bar perto de casa que parecia ter aumentado o volume da musica brega, alem de sempre tem um espírito de porco egoísta que gosta de andar por ai ouvindo musica com se estivesse fazendo propaganda de suas musicas favoritas com o carro de som.
Pela manhã o garoto chato resolver ter a brilhante ideia de tocar a campainha do vizinho de novo — eu sei o que você esta pensando, que isso não vai dar certo— mas quando  tentou correr estava o dona da casa bem do lado dele com aquela cara de “você não aprende, né?!”.
— Sua mãe esta em casa?
— Mas ela esta dormindo, ela trabalhou a noite toda.
—Entendo, ela trabalho no posto de gasolina.
—Ela vai ficar chateada comigo.
— Realmente, seria muita filadaputagem falta de sensibilidade da minha parte incomoda-la por você (filho dela) causar problemas. Fora que você pode acabar  levando a pior nesta historia , não é mesmo?
— Então vai me deixar ir de boa?
— Mas é claro... Que não! Vamos lá conversar com sua mãe nesta bela manhã fria, que é ideal para tirar aquele cochilo!
Sabe aquela cara de alguém que trabalhou a noite toda, e que o ato de dormir passa ser um ritual solene de recuperação, descanso, que se for maculado por qualquer descrente acarreta uma retaliação iminente? Então, é assim que a mãe do Bubu se encontrava e estava prestes a reagir com qualquer ameaça ao seu sono.
No momento que o vizinho estava explicando a situação ela não olhava para ele, e sim para o filho com um olhar ameaçador. De cara ela não acreditou, mas depois que ela viu o vídeo no telefone do filho cometendo um ato infracional de perturbação da paz.
—O pode ficar tranquilo moço, eu garante que ele não vai mais te incomodar, pode ter certeza de que eu vou o chamar na chincha. Vai moleque, pede desculpa para o moço!
— Desculpa moço.
— Tudo bem então, desculpe atrapalhar seu descanso e a propósito, aceite este bolo como um ato de boa vontade.
— Esta cheirando bem, que fez?
—Eu mesmo quem fez.
— O tio, e meu ouvido?
— Que tem seu ouvido?
— Ele tem problema de ouvido? Não posso ajudar, não sou médico.
— Eu já falei para você lavar direito esse ouvido se não isso poderia acontecer, me deixa ver isso... 
O garoto foi ao medico naquele mesmo dia e o foi diagnosticado com uma infecção auditiva, foi passada uma medicação, e mãe a administrou juntamente com um corretivo (que não funcionou) na escola o garoto combinou com os colegas um teste de coragem: marcou com outros três colegas de ir até a casa do vizinho e roubar o interruptor da campainha (era uma daquelas sem fio de fixação com fita dupla face).  Um deles resolveu não participar afirmando que era quarta feira por isso tinha jogo na televisão, o outro disse que até poderia, mas estava tomando um remédio que dava muito sono e o ultimo disse de uma maneira educada: “vai lavar uma louça!”.
—Vocês são uns  arregões  covardes mesmo!
—Só não queremos passar vergonha como você vai passar essa noite!
— Vou levar a campainha para a escola e ai vocês vão ver quem vai passar vergonha.
— Na moral, desiste logo, você é muito fraco, vai ficar na sua pipa e no seu futebol...
— Alias, no futebol não! Pelo amor de deus, até nisso você é ruim!
Mais uma vez  o garoto foi tentar um caminho que vocês imaginam aonde vai dar...
Naquela noite, Bubu esperou a mãe sair para trabalhar e foi até a rua de cima, sozinho, não com coragem, mas guiado pela teimosia e cego pela burrice ele quase foi visto por uma viatura da policia, por solte conseguir esconder-se atrás de uma lixeira.  Finalmente conseguiu chegar ao destino desejado e tentou arrancar a campainha usando toda a sua força quando de repente ouviu um barulho de algo andando sobre o teto da casa e  reparou ao lado do interruptor algo escrito:
“ Se você não vai me deixar em paz e pedir desculpas, então vou ter que força-lo a isto...”
Viu algo que parecia um gato olhando para ele do alto da casa, quando a lua saiu de trás das nuvens ficou claro que não era um gato comum , era maior e com os olhos faiscantes e foi andando até Bubu fazendo um barulho como se disse-ser: O que faz aqui, humano?
O lendário espectro felino. By felixufes@gmail.com
Em uma tentativa de tentar sair dali tentou correr, mas o braço parecia estar preso em algo, mas conseguiu ao custo de uma camisa rasgada e uns arranhões. Voltou para casa com medo e o sentimento de vitória. Indo para a escola orgulhoso do “grande feito” .
No caminho encontrou outro colega e começaram a conversar e der repente um carro que estava do ledo dele estacionado começou a disparar o alarme e o dono logo desconfiou dos alunos...
—Vão embora daqui seus pivetes ou eu vou chamar a policia!
— A gente não fez nada não moço!
— Não quero saber, meu carro não é brinquedo!
E isso aconteceu com mais outros cinco carros e seis motos no caminho,  e por alguma razão as campainhas das casas também tocavam e era o mesmo som da campainha dão vizinho. Em frente aos portões do colégio, alguns alunos estavam com celulares ouvindo musica ou jogando de forma tranquila... Até o Bubu aparecer os aparelhos começarem a tocar com se recebessem a mesma chamada de um numero desconhecido. Ele chamou os colegas mais próximos para mostrar o artefato roubado, mas eles estavam muito ocupados tentando desligar os telefones, tiveram que retirar as baterias, e Bubu recebeu uma mensagem de texto dizendo “devolva”. Durante as aulas tudo corria bem e tudo o transtorno parecia só uma brincadeira passageira até que o celular do próprio Bubu começou a tocar durante uma prova da ultima aula, fazendo a professora manda-lo para a diretoria.   
— Então, como vamos fazer, você não sabia  da proibição do uso de celulares na sala ?
— Mas eu sempre deixo no modo silencioso, não imagino como foi tocar e justamente durante a prova!
—Vamos fazer o seguinte: Você não será suspenso...
—Show!
—Mas vou notificar a sua mãe!
— Não!
Indo para casa, pensando em tudo que estava acontecendo. Resolveu pedir dinheiro para o senhor Dimas, um senhor antigo do bairro a que Bubu vivia pedindo coisas dizendo que era em nome da mãe dele, na verdade, a mulher nunca sabia de nada. Havia um carro parado em frente à casa do idoso, era do filho policial visitando o pai,  chegando na frente da casa o garoto começou a gritar chamando o dono da casa, mesmo com uma campainha instalada na entrada ( vai entender, será precaução por alguma coisa?). Naquele momento tanto a campainha da casa quanto o alarme do carro começaram a tocar chamando a atenção do filho do dono da casa, com a arma em punho achando que era uma tentativa de roubo de carro.
—Ei garoto! O não corre não!
—Me deixa  moço! Fiz nada não! Só ia pedir dinheiro para o seu Dimas que minha mãe mandou!
—Vou lá conversar com a sua mãe!
Naquele dia, alem de ter problemas na escola o menino também teve problemas com a polícia, com a acusação de mendicância envolvendo o nome da própria mãe.
— Não sabia que ele estava pedindo dinheiro ao seu Dimas, achei que os coleguinhas estavam dando as coisas para meu filho, seu policial!
—Eu também sou pai e vou deixar passar desta vez, pois antes de vir para cá um cavalheiro conversou comigo sobre um roubo da campainha dele me falou da dificuldade que a senhora tem de tomar conta desta criança. Mas não quero mais ouvir falar de gente pedindo dinheiro para o meu pai.
—Tudo bem, pode deixar. Ele não vai pedir dinheiro!
—Acho bom mesmo.
—Vai para o seu quarto e depois conversamos menino!
—Sim senhora.
Agora de castigo, pensando em suas ações, começou a ouvir uma conversa na sala, parecia uma voz conhecida, e era, o vizinho dono da campainha roubada. A conversa parecida sobre ser sobre a o policial ter ido ali.  Quando estava tentando ouvir mais da conversa, começou um barulho estranho vindo da mochila de Bubu, era a campainha, mas o volume ia aumentando ao ponto der enlouquecedor para qualquer um! Em sequencia foi o celular dele,  o alarme do micro-ondas, do relógio de pulso...
— EU NÃO AGUENTO MAIS... CHEGA!!!!
Ele foi até a sala, desobedecendo a ordem da mãe que o tinha confinado no quarto. E olhou para o visitante tomando café com um sorriso sádico.
— GAROTO EU NÃO MANDEI VOCÊ FICAR NO SEU QUARTO?
Chorando ele começou a soluçar e repetir várias vezes: DESCULPA, DESCULPA...
— Toma a sua campainha, não quero mais brincar disso. Só quero ficar em paz, sem amolação, só queria Zuar um pouco com o senhor! Não sabe brincar não!
— Você que pegou a campainha do moço, devolve e pede desculpa!
E foi o que ele fez: Pegou a campainha na bolsa e devolveu a dono.
— Garoto, eu realmente espero que não tenha mais problemas com você e acho que realmente aprendeu a lição. Verdade! Para chegar ao ponto de ficar chorando assim não deve ser encenação. E digo mais, conversei com o senhor Dimas e eu falei com o policial (filho dele), com sua mãe e achamos o ideal você fazer uns favores para ele como ajudar a colocar o lixo dele para fora, varrer um pouco o quintal para compensar o dinheiro que você gastou dizendo ser em nome da sua mãe. Vamos fazer o seguinte, me da um abraço aqui e pede desculpas.
— Abraça o moço, filho e pede desculpas!
E ele falou baixinha no ouvido do garoto: “Quando você zomba alguém sempre zomba de volta”.
Por fim, o vizinho peculiar voltou para sua casa deixando um presente para aquela família, uma campainha novinha do mesmo tipo da dele...





2 comentários: