Um dia, em uma rua, em uma manhã...
Um garoto (que vamos chamar de Bubu) era um destes desocupados que vivem para soltar pipa com
cerol, pedir dinheiro para a vizinhança dizendo que a mãe que pediu, pedir o
quilo do feijão no vizinho com a desculpa de poder garantir o almoço ( mas na
verdade ele vai mesmo trocar com o dono da venda por linha e pipa). Então acho
que vocês já entenderam a peça. Uma bela
manhã ele estava indo para a escola... , diga-se de passagem, que a razão de ir
não era para aprender e sim para ficar longe de casa, e passando em frente a casa de um vizinho da
rua de cima logo notou que a casa tinha
ganhado uma campainha diferente e
resolveu fazer aquela brincadeira mais
ridícula e irritante muito antiga
passada de geração em geração conhecida como “ tocar a campainha e sair
correndo” . Caso o leitor seja leito no assunto vou tentar ser o mais didático
possível, a besteira brincadeira consiste em:
— Espreitar a casa para ver se não há ninguém
nas proximidades da casa como o próprio morador;
— Apertar
o botão da dita cuja e sair correndo o
mais rápido possível, podendo esconder-se em um local mas apropriado com atrás de um poste ou carro.;
— E
por fim rir igual um idiota do pobre morador que foi vitima da
traquinagem.
Bubu dirigiu-se para o portão do vizinho
e não viu ninguém nas proximidades, mas ouviu um barulho de alguém dentro da
casa, era a oportunidade! Ele apertou o botão correu até ao poste da esquina
com um raio e depois sentiu a adrenalina como se fosse um corredor dos 100
metros rasos. No recreio ele contou para
os colegas sua “façanha” dividindo opiniões.Alguns achavam muito
engraçado e imaginavam qual era a cara do dono da casa quando olhou e não tinha ninguém no portão ,
enquanto outros diziam que era uma brincadeira sem graça e uma grande palhaçada.
Até que um colega perguntou qual era a
casa e ele respondeu :
— A casa 7 cinza!
Neste momento os colegas chamaram um deles,
o que estava rabiscando um caderno perto da janela e o inseriram na conversa, para
contar o qual a experiência de quando pulou o muro da casa 7...
— Uma vez pulei o muro dessa casa para
pegar uma pipa e foi nunca mais passar perto de lá! O lugar é muito estranho,
ouvi um miado e não vi gato nenhum,
depois alguma coisa rasgou a pipa toda e não seu como algo me arranhou
mas não vi nada, ai pulei para rua. Quando anoiteceu eu estava voltando da casa
do Lucas vi um vulto de um bicho
parecido com um gato, mas com o olho vermelho,
no arco da garagem da casa olhando para mim ! Corri na hora e nunca mais passo perto de lá !
— Nada! Você esta inventando!
— Eu vi sim! E a minha irmã estava
passeando com o namorado e viram um vulto passando no jardim da casa. É melhor
não ficar brincando com a gente dessa casa!
Bubu deu de ombros para as advertências
dos colegas e resolveu repetir o
feito, indo para a frente da casa 7 e
reparou que o botão estava mais alto , o que levou a se esticar mais
para alcançá-lo.
Quando estava prestes a alcançar o botão
um rapaz que parecida estar fazendo uma corrida perguntou:
— E ai garotinho, tudo bem ?
— Tudo.
— O que você esta fazendo?
— Estou tentando apertar a campainha, mas,
não alcanço. Você poderia me ajudar?
O garoto na verdade estava pensando em
fazer o jovem apertar o botão e sair correndo, deixando o simpático rapaz a ver
navios tentando dar explicação para o dono da casa.
— Você quer falar com o pessoal da casa?
Posso te ajudar, qual seu nome?
—Sou o Bubu.
— Então você é o famoso Bubu que a vizinhança
fala?
— Não conheço nenhum outro, tio. O senhor estava correndo?
— O médico mandou, ele falou que era para
melhorar a forma porque fico muito tempo em frente ao computador. Mas vou dar
mais uma volta por ai, você que ajuda com alguma coisa?
O moleque retardado menino
resolveu mudar de ideia e deixar a brincadeira para outra hora, afinal de
contas o repaz parecia um cara legal e o risco de ser descoberto era grande no
momento. Pediu licença e disse que iria voltar outra hora.
Naquele mesmo dia o garoto apertou a
campainha e foi a mesma coisa no dia seguinte e nos três dias foi a mesma brincadeira sem graça. E na ultima
vez que resolveu fazer isso ele correu e se escondeu atrás de um poste na
esquina, no momento que ele estava ofegante apareceu o homem gentil do outro
dia.
— Oi Bubu, tá cansado por quê?
— Oi tio, eu tava brincando de campainha.
— Campainha? Como é essa brincadeira?
— É fácil tio, é só apertar a campainha e
sair o mais rápido possível para não ser pego pelo dono da casa! Tem que ser
muito ninja!
— Nossa, é você não tem medo de ser
pego e
o pessoal da sua casa saber que você esta incomodando o vizinho? Alias
você mora aqui perto?
— Moro na casa três da rua de baixo, é
uma casa com umas samambaias na frente. Mas o dono da casa 7 nunca vai
saber!
— É mesmo? ! Nunca vai saber?
— Nunquinha!
—E se ele chegar de boa e você começar a conversar
com ele você dizer: “ Oi tio, eu tava
brincando de campainha” e você disser onde mora e coisa e tal ...?
— Como é que é?
Neste momento o menino ficou pálido
e não passava nenhum pensamento , a não
ser de deu merda , agora me ferrei
bonito “deu ruim” e “ me pegaram”.
— Na verdade eu já desconfiava que não fosse
alguém da minha rua, mas tudo ficou mais
claro quando fui caminhar mais cedo e
você estava lá, prestes a tentar
incomodar alguém mais uma vez . Para
evitar cometer um erro de julgamento resolvi dar uma de “boa gente” e dei uma
chance para ver se cansaria, e me deixaria em paz. Adivinha só! Você voltou e
vou contar tudo para sua mãe!
— Não tio, minha mãe vai me matar, dá uma
chance!
— Eu não deveria, porém vou dar uma
chance.
— Valeu, posso ir agora?
— Mas antes, você deve saber que enquanto
não parar de ficar tocando minha campainha você irá saber da pior forma o que é
ser incomodado...
Então o garoto foi para casa e deu de
ombros para as palavras do homem, não pretendendo cumprir a promessa feita e a
tocou mais uma vez. Foi dormir e quando acordou notou que o toque do celular da
mãe estava muito alto que chegava a doer o ouvido. No caminho da escola um colega gritou (como é
de se esperar daquela gente que grita mesmo quando esta há poucos metros de
você) e sentiu como se estivesse gritando direto na orelha.
— Fala
baixo ai, chegou a doer o ouvido!
— Esta com dor de ouvido? E ai, borá
tocar a campainha daquela casa?
—Melhor não, eu já enjoei!
— Tranquilo ein! Olha só o que meu pai me
deu, é um pouco de rojão que sobrou porque o flamengo perdeu e não deu para estourar
ontem!
— Bora lá estourar no muro da escola
depois da aula?
E lá se foram os dois e na escola o Bubu estava entediado quieto na sala deu aula pois a professora
estava explicando o conteúdo quando um colega
começou a estourar bolinhas de cola escolar ( aquela brincadeira fazer
uma bolha com cola branca que parece com
papel bolha , apesar de não ser a mesma
satisfação de estourar) . Então Bubu
começou a ficar incomodando com aquele barulho
alem de outro batendo uma caneta nos dentes , um estalava as juntas dos
dedos , uma menina que ficava riscando a beirada do caderno e até
o passarinho na arvore próxima da janela da sala.
Quando estava prestes a pedir para todo
mundo fazer silencio a aula acabou com o sinal do final da aula tocando... Como
um gongo de luta livre dentro dos tímpanos do infeliz!
Quando a aula acabou o garoto resolveu ir
para casa logo, mas o tal amigo que queria estourar uns rojões ficou enchendo
a porra do saco insistindo em explodir os tijolos do muro da escola. Bubu
acabou concordando, mas pediu para ficar de longe com os ouvidos tapados, pois
disse que estava com dor de ouvido. Quando o rojão estourou o coitado chegou a ouvir uma sirene dentre da cabeça,
mesmo com os ouvidos tapados e a quase dez metros do lugar, o que o levou a ir
para a farmácia pedir um remédio , mas o farmacêutico recusou vender qualquer
remédio para ele sem receita médica. O moleque foi para casa e resolveu ficar
quieto e dormir mais cedo para ver se melhorava, entretanto mal dormiu aquela
noite por causa do barulho do bar perto de casa que parecia ter aumentado o
volume da musica brega, alem de sempre tem um espírito de porco egoísta
que gosta de andar por ai ouvindo musica com se estivesse fazendo propaganda de
suas musicas favoritas com o carro de som.
Pela manhã o garoto chato resolver ter a
brilhante ideia de tocar a campainha do vizinho de novo — eu sei o que você
esta pensando, que isso não vai dar certo— mas quando tentou correr estava o dona da casa bem do
lado dele com aquela cara de “você não aprende, né?!”.
— Sua mãe esta em casa?
— Mas ela esta dormindo, ela trabalhou a
noite toda.
—Entendo, ela trabalho no posto de
gasolina.
—Ela vai ficar chateada comigo.
— Realmente, seria muita filadaputagem
falta de sensibilidade da minha parte incomoda-la por você (filho dela) causar
problemas. Fora que você pode acabar
levando a pior nesta historia , não é mesmo?
— Então vai me deixar ir de boa?
— Mas é claro... Que não! Vamos lá
conversar com sua mãe nesta bela manhã fria, que é ideal para tirar aquele
cochilo!
Sabe aquela cara de alguém que trabalhou
a noite toda, e que o ato de dormir passa ser um ritual solene de recuperação,
descanso, que se for maculado por qualquer descrente acarreta uma retaliação
iminente? Então, é assim que a mãe do Bubu se encontrava e estava prestes a
reagir com qualquer ameaça ao seu sono.
No momento que o vizinho estava
explicando a situação ela não olhava para ele, e sim para o filho com um olhar
ameaçador. De cara ela não acreditou, mas depois que ela viu o vídeo no
telefone do filho cometendo um ato infracional de perturbação da paz.
—O pode ficar tranquilo moço, eu garante
que ele não vai mais te incomodar, pode ter certeza de que eu vou o chamar na
chincha. Vai moleque, pede desculpa para o moço!
— Desculpa moço.
— Tudo bem então, desculpe atrapalhar seu
descanso e a propósito, aceite este bolo como um ato de boa vontade.
— Esta cheirando bem, que fez?
—Eu mesmo quem fez.
— O tio, e meu ouvido?
— Que tem seu ouvido?
— Ele tem problema de ouvido? Não posso
ajudar, não sou médico.
— Eu já falei para você lavar direito
esse ouvido se não isso poderia acontecer, me deixa ver isso...
O garoto foi ao medico naquele mesmo dia
e o foi diagnosticado com uma infecção auditiva, foi passada uma medicação, e
mãe a administrou juntamente com um corretivo (que não funcionou) na escola o
garoto combinou com os colegas um teste de coragem: marcou com outros três
colegas de ir até a casa do vizinho e roubar o interruptor da campainha (era
uma daquelas sem fio de fixação com fita dupla face). Um deles resolveu não participar afirmando
que era quarta feira por isso tinha jogo na televisão, o outro disse que até poderia,
mas estava tomando um remédio que dava muito sono e o ultimo disse de uma
maneira educada: “vai lavar uma louça!”.
—Vocês são uns arregões covardes mesmo!
—Só não queremos passar vergonha como
você vai passar essa noite!
— Vou levar a campainha para a escola e
ai vocês vão ver quem vai passar vergonha.
— Na moral, desiste logo, você é muito
fraco, vai ficar na sua pipa e no seu futebol...
— Alias, no futebol não! Pelo amor de deus,
até nisso você é ruim!
Mais uma vez o garoto foi tentar um caminho que vocês
imaginam aonde vai dar...
Naquela noite, Bubu esperou a mãe sair
para trabalhar e foi até a rua de cima, sozinho, não com coragem, mas guiado
pela teimosia e cego pela burrice ele quase foi visto por uma viatura da
policia, por solte conseguir esconder-se atrás de uma lixeira. Finalmente conseguiu chegar ao destino
desejado e tentou arrancar a campainha usando toda a sua força quando de
repente ouviu um barulho de algo andando sobre o teto da casa e reparou ao lado do interruptor algo escrito:
“ Se você não vai me deixar em paz e pedir
desculpas, então vou ter que força-lo a isto...”
Viu algo que parecia um gato olhando para
ele do alto da casa, quando a lua saiu de trás das nuvens ficou claro que não
era um gato comum , era maior e com os olhos faiscantes e foi andando até Bubu
fazendo um barulho como se disse-ser: O que faz aqui, humano?
Em uma tentativa de tentar sair dali tentou
correr, mas o braço parecia estar preso em algo, mas conseguiu ao custo de uma
camisa rasgada e uns arranhões. Voltou para casa com medo e o sentimento de
vitória. Indo para a escola orgulhoso do “grande feito” .
No caminho encontrou outro colega e
começaram a conversar e der repente um carro que estava do ledo dele
estacionado começou a disparar o alarme e o dono logo desconfiou dos alunos...
—Vão embora daqui seus pivetes ou eu vou
chamar a policia!
— A gente não fez nada não moço!
— Não quero saber, meu carro não é
brinquedo!
E isso aconteceu com mais outros cinco
carros e seis motos no caminho, e por
alguma razão as campainhas das casas também tocavam e era o mesmo som da
campainha dão vizinho. Em frente aos portões do colégio, alguns alunos estavam
com celulares ouvindo musica ou jogando de forma tranquila... Até o Bubu
aparecer os aparelhos começarem a tocar com se recebessem a mesma chamada de um
numero desconhecido. Ele chamou os colegas mais próximos para mostrar o
artefato roubado, mas eles estavam muito ocupados tentando desligar os
telefones, tiveram que retirar as baterias, e Bubu recebeu uma mensagem de
texto dizendo “devolva”. Durante as aulas tudo corria bem e tudo o transtorno
parecia só uma brincadeira passageira até que o celular do próprio Bubu começou
a tocar durante uma prova da ultima aula, fazendo a professora manda-lo para a
diretoria.
— Então, como vamos fazer, você não
sabia da proibição do uso de celulares
na sala ?
— Mas eu sempre deixo no modo silencioso,
não imagino como foi tocar e justamente durante a prova!
—Vamos fazer o seguinte: Você não será
suspenso...
—Show!
—Mas vou notificar a sua mãe!
— Não!
Indo para casa, pensando em tudo que
estava acontecendo. Resolveu pedir dinheiro para o senhor Dimas, um senhor
antigo do bairro a que Bubu vivia pedindo coisas dizendo que era em nome da mãe
dele, na verdade, a mulher nunca sabia de nada. Havia um carro parado em frente
à casa do idoso, era do filho policial visitando o pai, chegando na frente da casa o garoto começou a
gritar chamando o dono da casa, mesmo com uma campainha instalada na entrada (
vai entender, será precaução por alguma coisa?). Naquele momento tanto a
campainha da casa quanto o alarme do carro começaram a tocar chamando a atenção
do filho do dono da casa, com a arma em punho achando que era uma tentativa de
roubo de carro.
—Ei garoto! O não corre não!
—Me deixa moço! Fiz nada não! Só ia pedir dinheiro para
o seu Dimas que minha mãe mandou!
—Vou lá conversar com a sua mãe!
Naquele dia, alem de ter problemas na
escola o menino também teve problemas com a polícia, com a acusação de
mendicância envolvendo o nome da própria mãe.
— Não sabia que ele estava pedindo
dinheiro ao seu Dimas, achei que os coleguinhas estavam dando as coisas para
meu filho, seu policial!
—Eu também sou pai e vou deixar passar
desta vez, pois antes de vir para cá um cavalheiro conversou comigo sobre um
roubo da campainha dele me falou da dificuldade que a senhora tem de tomar
conta desta criança. Mas não quero mais ouvir falar de gente pedindo dinheiro
para o meu pai.
—Tudo bem, pode deixar. Ele não vai pedir
dinheiro!
—Acho bom mesmo.
—Vai para o seu quarto e depois
conversamos menino!
—Sim senhora.
Agora de castigo, pensando em suas ações,
começou a ouvir uma conversa na sala, parecia uma voz conhecida, e era, o
vizinho dono da campainha roubada. A conversa parecida sobre ser sobre a o
policial ter ido ali. Quando estava
tentando ouvir mais da conversa, começou um barulho estranho vindo da mochila
de Bubu, era a campainha, mas o volume ia aumentando ao ponto der enlouquecedor
para qualquer um! Em sequencia foi o celular dele, o alarme do micro-ondas, do relógio de
pulso...
— EU NÃO AGUENTO MAIS... CHEGA!!!!
Ele foi até a sala, desobedecendo a ordem
da mãe que o tinha confinado no quarto. E olhou para o visitante tomando café
com um sorriso sádico.
— GAROTO EU NÃO MANDEI VOCÊ FICAR NO SEU
QUARTO?
Chorando ele começou a soluçar e repetir
várias vezes: DESCULPA, DESCULPA...
— Toma a sua campainha, não quero mais
brincar disso. Só quero ficar em paz, sem amolação, só queria Zuar um pouco com
o senhor! Não sabe brincar não!
— Você que pegou a campainha do moço,
devolve e pede desculpa!
E foi o que ele fez: Pegou a campainha na
bolsa e devolveu a dono.
— Garoto, eu realmente espero que não
tenha mais problemas com você e acho que realmente aprendeu a lição. Verdade!
Para chegar ao ponto de ficar chorando assim não deve ser encenação. E digo
mais, conversei com o senhor Dimas e eu falei com o policial (filho dele), com
sua mãe e achamos o ideal você fazer uns favores para ele como ajudar a colocar
o lixo dele para fora, varrer um pouco o quintal para compensar o dinheiro que
você gastou dizendo ser em nome da sua mãe. Vamos fazer o seguinte, me da um
abraço aqui e pede desculpas.
— Abraça o moço, filho e pede desculpas!
E ele falou baixinha no ouvido do garoto:
“Quando você zomba alguém sempre zomba de volta”.
Por fim, o vizinho peculiar voltou para
sua casa deixando um presente para aquela família, uma campainha novinha do
mesmo tipo da dele...

