As
Infernais
E
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m uma clinica psiquiátrica, duas enfermeiras conversavam
durante o café da tarde quando surge o assunto inevitável:
- Ju, lembra daquele trampo que você
me indicou para outra clinica ?, você não comentou com ninguém daqui do
trabalho, comentou?
- Camila, eu não comentei com ninguém alem de você ,mas porque você esta me
perguntando isso?
-É que... lembra que tem uma pessoa aqui do trabalho, uma
baixinha que toda vaga de emprego, todo local que você me indica, ela
aparece lá. Parece um
encosto uma sombra me perseguindo!
Neste momento as duas amigas reparam que a poucos metros dali
se encontrava Roberta, uma enfermeira recém formada que, devido ao seu jeito de lidar com
as pessoas, era considerada por muitos como insuportável por sua própria
existência.
As duas amigas, Juliana e Camila, decidem parar de falar do assunto
por hora e voltam ao trabalho, achando que a onipresença da colega
desfavorecida verticalmente era pura coincidência. Até que um dia ...
- Amiga, eu descobri!
-Descobriu o que?
-Descobri como a Roberta consegue aparecer em todo lugar que
eu vou, em toda promoção, toda vaga de emprego..., em todo lugar que você me indica, a Roberta
aparece de propósito.
- Tá, mas me conta logo esse mistério. Como é, me explica!
- Olha, Camila, eu vou te contar: Lembra na sexta feira quando a
gente tava conversando na entrada do vestiário da clinica e te pedi o espelho
para ver se tirava um cílio do meu olho?
Eu reparei que tinha alguém escondido atrás de uma coluna e
era ela, a dita cuja!
- Mas por que você não me falou? Eu teria logo teria colado esporro nela a repreendido na mesma hora.
- Não sei, faltava alguma coisa para ter certeza, e agora
pouco eu tive a confirmação desta suspeita. Quem me confirmou foi o Flavio, o
segurança que trabalha no setor de monitoramento das câmeras. Pedi para ele me
mostrar as fitas das ultimas duas semanas e sempre aquela pintora de roda pé
estava por perto quando a gente estava conversando.
-Só isso não é prova, como você pode ter tanta certeza?
-Simples, lembra quando te passei o telefone do meu colega do
inglês que trabalha na editora do livro sobre farmacologia? Te passei o telefone dele para
você,
que ele ia te fazer um desconto legal se falasse que me conhecia?
-Sei, você anotou no bloco de notas da enfermaria e me passou
o numero.
E daí?
-Daí que quando estávamos saindo reparei que a falsa
estava de olho na gente e quando estávamos saindo, o Flavio me ligou e disse que ela
rabiscou com grafite o bloco de notas (e assim é possível ver qual é o ultimo
numero escrito), e destacou a folha e levou embora. E hoje meu amigo da editora
me ligou confirmando que uma tal de Roberta tinha ligado hoje cedo e que, por
ser minha conhecida, e que queria o mesmo livro.
E como se fossem tomadas pelo espírito da vingança, as duas
resolveram tramar contra a colega desleal, mas nenhuma idéia parecia boa o
suficiente.
Teria
que ser algo que atacasse o orgulho, provar do próprio veneno, como uma
cobra que morde o próprio rabo...
Então quando chegou em casa, Camila teve uma idéia maquiavélica
e logo ligou para a amiga:
-Alo, Ju? Qual o nome
do lugar que seu irmão frequentava?
(...)
Roberta chegou no trabalho no horário e logo passou no
vestiário para guardar os pertences e trocar de roupa, e meio que “sem
querer” ouviu Ju e Camila conversando:
-Essa é uma oportunidade de ouro!
-Como assim?
-Como assim?! Como assim?! Não tem erro, é só chegar lá, não precisa de currículo, basta
chegar lá e dizer que tem disposição para trabalhar que vão pagar bem!
-Quanto?
R$ 1000,00!
- Isso ai é por mês?
- Nada, é por noite!
-Mas porque você não foi ainda?
-Vou ligar mais tarde, eu acho que só eu tenho o telefone de
contato, afinal meu irmão conhece o dono do lugar, e ele me deu o numero dele nesse papel.
-Você deve tomar muito cuidado para não perder esse papel ,porque você não guarda dentro
do seu
MANDA*, com toda certeza você
nunca vai perder ![1]
- Tá bom, então vou fazer isso, e não deixa esquecer o
livro, vou deixar ele na enfermaria.
-Pode deixar, mas agora vamos logo que o plantão já vai
começar!
E durante o plantão na clinica, a tal Roberta ficou espreitando
a enfermaria, um tubarão esperando o momento certo de atacar a presa, e na hora
do almoço das colegas ela correu e conseguiu pegar o telefone que estava dentro
do livro. Sem esperar nenhum minuto, ligou dali mesmo para o tal empregador:
- É nesse telefone que eu falo com o Príapo?
-É o próprio, quem deseja falar com ele?
-Oi meu nome é Roberta e eu gostaria de saber se a vaga de
freelancer esta livre ainda e se é verdade que o valor da comissão é de R$
1500,00? (1000,
ou 1500???)
-Sim, é sim. Quer vir hoje para trabalhar, nós fornecemos
uniforme e tudo que é necessário para você trabalhar. Pagamos ainda um
adicional de R$ 200 para cada pessoa extra atendida. Então fechamos negocio?
-Pode sim quando posso começar?
No dia do primeiro dia de trabalho como freelancer, um carro
veio buscá-la em casa e a levou até uma mansão que ficava a beira-mar, e na
recepção o tal dono do lugar, o Príapo, a esperava (um sujeito escuro e cabeça
raspada e muito alto, parecia um lutador de UFC), e logo ele foi dando as instruções com um tom de
urgência, pois já havia alguém esperando atendimento:
-Que bom que você chegou, você esta ótima com essa roupa, mas
não gostaria de mudar de roupa? Se bem
que essa sua roupa branca esta ótima, já tivemos outra enfermeira aqui, na
verdade uma estagiaria de enfermagem, veio aqui para pagar a faculdade..., mas
é isso ai, quer começar agora, mas antes você quer ver resto do lugar ...
-Não, não é só mostrar o quarto onde esta o doente que eu
tomo conta dele sem problemas.
- Doente? bem, cada um que trabalha aqui tem seu modo de
chamar os nossos clientes, mas esse deve estar de acordo com seu
personagem, então guarde as suas coisas
na recepção e vá até o quarto do sexto andar, o numero 69.
-Vou lá então, pode deixar, eu vou cuidar bem dele!
-Eu conto com isso, afinal todos quem vem aqui exigem o
melhor tratamento possível, até amanhã.
E ao sair do elevador ela deu de cara com o quarto 69, logo
estranhou uma mulher de sobretudo cinzento
com cabelos castanhos bem longos e presos com uma presilha (destas de loja de R$ 1,99), e quando esta ultima a cumprimenta e com um pouco de pressa :
- Oi tudo bem? Você é novata, não é?
-Sou, mas...
-Olha vai na calma que eu cansei o cara um pouco pra você,
mas ele tá meio insaciável,hoje!
-Ele tem muita fome, come muito?
-Se come...
E quando a dama de sobretudo entra no elevador ela deixa cair
um chicote no chão, que logo a mesmo pega
e guarda na bolsa, o que faz a pequena enfermeira disparar a pergunta:
-Você é enfermeira também?
E rapidamente recebe uma resposta com um ar de humor:
-Talvez isso eu seja na semana que vem, fui!
E sem muito entender a resposta ela se dirige para o quarto
para fazer o serão extra e quem sabe ganhar uma gratificação em uma noite o que geralmente ganharia em um
mês (isso se fosse enfermeira de algumas
prefeituras da região da grande Vitória, como a cidade de Viana que costuma pagar
mal pra caralho não remunerar adequadamente seus funcionários) . Logo, Roberta
repara em coisas estranhas no local: tinha um aroma de hortelã no ar bem forte,
havia um tapete vermelho que vinha da porta até a cama que era enorme, tinha
espelhos no teto, tinha uma jarra de vidro na cabeceira da cama cheia de
camisinhas – o local era uma verdadeira suíte imperial construída para um
ditador pervertido. Mas curiosamente não se via o tal cliente que deveria estar
no quarto, tudo num silencio misterioso, até que se ouve uma descarga de vaso
vinda logicamente do banheiro do quarto:
- Oi , eu vim para
pegar o segundo plantão da noite, sou a enfermeira, o senhor pode vir aqui para falar comigo?
Uma voz grave como a de um locutor de radio AM vinda do
banheiro aparece:
- Então você é a outra menina, a sua amiga estava me dando um banho, você poderia me ajudar vindo aqui ajudar a me secar, pega uma toalha seca,
deixei cair a minha toalha cair na banheira antes de enxugar o cabelo , tem toalha seca no baú perto da
cama.
Neste momento a jovem
começa a pensar :
- Deve ser destas
clinicas secretas que gente rica manda os parentes que quer esconder do resto
do mundo, para não sujar a imagem da família , ou vem para se recuperar de
cirurgias plásticas e se esconder da imprensa, dos paparazzi, esse tipo de coisa. Esse ai ou
deve ser um cara famoso ou parente de um, deve ser um pobre coitado que tem
alguma doença ou uma síndrome que a família quer esconder do mundo, com certeza
um coitado.
Quando leva a toalha para o banheiro dá de cara com um negão
um afrodescendente de grande porte, aparentemente cheio de saúde e com cabelo
rastafare.
- Uau, o pessoal da direção me falou que você era um pouca
baixinha, gosto disso, e você já veio a caráter: vestida de branco, tem até
estetoscópio igualzinho uma enfermeira...
- Mas eu sou enfermeira, e você não é aquele jogador de
futebol daquele clube europeu?
-Sou sim, estou de férias no Brasil, mas não quero falar de
trabalho é melhor você começar a trabalhar logo pois to pagando e tempo é
dinheiro e to pagando caro, ops! Meu
sabonete caiu pega ele pra mim fazendo o favor.
- Tá claro!
Quando ela se abaixa para cair no truque clássico usado em
presídios, porta aviões norte americanos, no golfo persa e afins, ela é
agarrada por traz pelo cliente bem dotado fazendo ela dar um grito estridente, dá
um “golpe baixo” no jogador que acaba
afinado a voz de dor.
- Tá louca sua puta, isso doeu vou me queixar com o pessoal e
você nunca mais vai trabalhar nesse
puteiro!
- Puteiro?, do que você tá falando, isso é uma clinica não é ?
- Clinica, casa de massagem, casa de repouso, spa, para mim
é tudo a mesma coisa, não importa o nome
que usam para ter o CNPJ, tudo não
passa de bordel...
Neste momento, tomada pelo espanto, a garota corre para
descer as escadas e no caminho encontra uma mulher vestida com uma lingerie
preta conversando com uma outra de
sobretudo branco , mais adiante vê
alguém com roupa de odalisca saindo do
elevador, quando chega na recepção depois de
uma porrada de lances de escada
muitos lances de escada ela
chega ao térreo onde pega as suas coisas na recepção e antes que pude-se sair encontra-se com o
tal Priapo:
- Menina que tipo de profissional é você? Acabou de lesionar
um grande atacante do futebol, você sabe que o Brasil pode perder o próximo
amistoso por sua culpa!
- Como assim? Eu vim aqui para trabalhar e fui atacada por um
maluco, aliás ele disse que isso aqui é um puteiro!
- Puteiro não, não somos qualquer empresinha que trabalha com
putas de esquina, nós só trabalhamos com coisa de primeira, nossas meretrizes
são todas de alta categoria, tanto é que somos conhecidos internacionalmente
como uma casa de entretenimento que visa garantir aos nossos clientes diversão
e alivio das tensões com o melhor da safra brasileira. Alias, quando te vi logo
achei que você tinha potencial para o negocio...
- Jura ?
- Mas me enganei, depois desta putaria droga que você
fez com um de nossos melhores clientes, acho que nem pra isso você serve, vaza
daqui e não volta nunca mais, e nem espere que em te emprestar algo para limpar
essa sua calça toda suja de porra
e nem espere que eu te dê uma carona para a cidade, pode ir andando esses 10 Km ate o próximo
ponto de ônibus!
Saindo dali transtornada e humilhada ela andou os 10 km até
conseguir embarcar em um ônibus lotado e chegar em casa três horas depois. Estava
tão exausta que caiu na cama acabou dormindo sem tirar a roupa de enfermeira, e
durante o sonho imaginava porque isso tinha que acontecer com ela?
Em outras palavras tudo não se tratava de uma armadilha
tramada pelas colegas de trabalho, que estavam em um bar perto do apartamento
de Roberta, conversando com mais duas colegas. Todas riam da cena tragicômica
de ver a colega interesseira com a calça branca toda amarelada e amassada.
De fato, algumas mulheres conseguem arquitetar vinganças com
tanto requinte de crueldade, deve ser porque elas sabem, melhor do que ninguém,
bater onde dói mais.
