quarta-feira, 31 de outubro de 2018



Serie inferno astral: Sobre cães e outras coisas.


Um moleque chamado Bubu, típico garoto que escreve qualquer asneira na primeira calçada com cimento fresco e quando brinca com qualquer cachorro na rua como, não importando o quão abandonado esteja. Esse cidadão  mora em uma cidade  que o prefeito não ligava a mínima para a saúde dos cidadãos e dos animais em situação de abandono, e com isso, ocorreu uma aumente das matilhas doentes ( tipo sarna e outras coisas que faria alguém entender o significado de tripofobia), o que não impediu de Bubu ficar amigo de uma vira-lata que ganhou o nome de Farelo. O menino gostava de voltar da escola e brincar com o cão, jogando uma meia velha para ele pegar e dar os restos de comida para ele comer, em um prato velho trincado, e dava água em um pode de margarina usado. Depois de brincar um dia, o menino foi visitar uns parentes em outra cidade, voltando depois quase no final das férias escolares, indo logo procurar o amigo canino, mas, sem sucesso. Foi perguntar ao dono do bar e em seguida aos vizinhos até só restar um...  O da casa da campainha estranha.
– O que é garoto, o que foi desta vez?
− O tio, o senhor viu o meu cachorro?
− Cachorro?
− Um cachorro parecido com cachorro policial, só que magro e menor.
− Por acaso é um cachorro pulguento que eu vivia mandando você tirar da frente do meu portão?
− Sim, é esse ai!
− É o mesmo cachorro que você ficava brincando que quase entrou pelo meu portão quando eu estava lavando a garagem?
− SIM, É ESSE MESMO!
− Então, eu até sei onde ele está, mas você não vai lá, pelo menos não agora, mas logo, logo vai chegar o dia de você vai se encontrar com ele...
− Como assim?
Neste momento o homem começou a contar uma história para o garoto.
− Então: faz um tempinho que não só eu, mas muita gente daqui, incluindo sua mãe, estávamos preocupados com estes animais soltos por aí, e este cachorro é um exemplo de criatura abandonada. Quando vi aquela criatura andando por ai, cheia de sarna e com um fisco quase esquelético e sabe-se lá quais outras doenças ele deveria ter e infectar alguém ou ainda, engravidar uma cadela por ai e aumentar os números de cães abandonados, o  que me fariam ficar ainda mais enojados com a maneira que as coisas vão. Então resolvi fazer algo a respeito!
O garoto já começou a tremer e suar frio!
− Chamei uns amigos da capital e cercamos o cachorro.E quando o pegamos ele gritava e gritava  de medo, até tentou me morder, mas colocamos ele em uma caixa transportadora com um pouco de dificuldade (quase tivemos que droga-lo) muita gente nos agradeceu por isso, inclusive a sua mãe ajudou. Aquele cachorro estava fedendo demais e depois fomos atrás dos outros cães. Poucos escaparam da caçada!
O moleque estava já com o beiço tremendo e uma lagrima começou a rolar do canto do olho, imaginado o trágico destino do bicho, quando o homem falou, com um sorriso sinistro.
− Agora olha, imagine o que fizemos com ele!
− TADINHO, QUE MALDADE VOCÊS FIZERAM COM ELE!!!
− O QUE FIZEMOS FOI A COISA MAIS DESCENTE A SER FEITA COM ANIMAL SARNENTO NA RUA!!!
− VOCÊS MATARAM?!
− NÂO! Para falar a verdade, levamos para um abrigo de animais de uma ONG, onde ele esta internado fazendo tratamento, ele estava cheio de vermes e outras coisas. Olha essa outra foto, como está mais encorpado e com menos sarna, aliás, era por causa disso que ele tem esse nome? Farelo?
− Que?
− Quando eu contar para a galera da ONG a sua cara de choro eles vão rir pacas ,HAHAHAH!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Série Inferno Astral: A Campainha.

Um dia, em uma rua, em uma manhã...
Um garoto (que vamos chamar de Bubu)  era um destes  desocupados que vivem para soltar pipa com cerol, pedir dinheiro para a vizinhança dizendo que a mãe que pediu, pedir o quilo do feijão no vizinho com a desculpa de poder garantir o almoço ( mas na verdade ele vai mesmo trocar com o dono da venda por linha e pipa). Então acho que vocês já entenderam  a peça. Uma bela manhã ele estava indo para a escola... , diga-se de passagem, que a razão de ir não era para aprender e sim para ficar longe de casa,  e passando em frente a casa de um vizinho da rua de cima logo notou que  a casa tinha ganhado uma campainha diferente  e resolveu fazer aquela brincadeira  mais ridícula e irritante  muito antiga passada de geração em geração conhecida como “ tocar a campainha e sair correndo” . Caso o leitor seja leito no assunto vou tentar ser o mais didático possível, a besteira brincadeira consiste em:
  — Espreitar a casa para ver se não há ninguém nas proximidades da casa como o próprio morador;
 — Apertar  o botão da dita cuja e sair correndo o mais rápido possível, podendo esconder-se em um local mas apropriado com  atrás de um poste  ou carro.;
 — E por fim rir igual um idiota do pobre morador que foi vitima da traquinagem.
Bubu dirigiu-se para o portão do vizinho e não viu ninguém nas proximidades, mas ouviu um barulho de alguém dentro da casa, era a oportunidade! Ele apertou o botão correu até ao poste da esquina com um raio e depois sentiu a adrenalina como se fosse um corredor dos 100 metros rasos. No recreio ele contou para  os colegas sua “façanha” dividindo opiniões.Alguns achavam muito engraçado  e  imaginavam qual era a cara do  dono da casa quando  olhou e não tinha ninguém  no portão ,  enquanto outros diziam que era uma brincadeira sem graça  e uma grande palhaçada.
Até que um colega perguntou qual era a casa e ele respondeu :
— A casa 7 cinza!
Neste momento os colegas chamaram um deles, o que estava rabiscando um caderno perto da janela e o inseriram na conversa, para contar o qual a experiência de quando pulou o muro da casa 7...
— Uma vez pulei o muro dessa casa para pegar uma pipa e foi nunca mais passar perto de lá! O lugar é muito estranho, ouvi um miado e não vi gato nenhum,  depois alguma coisa rasgou a pipa toda e não seu como algo me arranhou mas não vi nada, ai pulei para rua. Quando anoiteceu eu estava voltando da casa do Lucas vi um vulto de  um bicho parecido com um gato, mas com o olho vermelho,  no arco da garagem da casa olhando para mim ! Corri na hora e  nunca mais passo perto de  lá !
— Nada! Você esta inventando!
— Eu vi sim! E a minha irmã estava passeando com o namorado e viram um vulto passando no jardim da casa. É melhor não ficar brincando com a gente dessa casa!
Bubu deu de ombros para as advertências dos colegas e  resolveu repetir o feito,  indo para a frente da casa 7  e  reparou que o botão estava mais alto , o que levou a se esticar mais para alcançá-lo.
Quando estava prestes a alcançar o botão um rapaz que parecida estar fazendo uma corrida perguntou:
— E ai garotinho, tudo bem ?
— Tudo.
— O que você esta fazendo?
— Estou tentando apertar a campainha, mas, não alcanço. Você poderia me ajudar?
O garoto na verdade estava pensando em fazer o jovem apertar o botão e sair correndo, deixando o simpático rapaz a ver navios tentando dar explicação para o dono da casa.
— Você quer falar com o pessoal da casa? Posso te ajudar, qual seu nome?
—Sou o Bubu.
— Então você é o famoso Bubu que a vizinhança fala?
— Não conheço nenhum outro, tio.  O senhor estava correndo?
— O médico mandou, ele falou que era para melhorar a forma porque fico muito tempo em frente ao computador. Mas vou dar mais uma volta por ai, você que ajuda com alguma coisa?
O moleque retardado menino resolveu mudar de ideia e deixar a brincadeira para outra hora, afinal de contas o repaz parecia um cara legal e o risco de ser descoberto era grande no momento. Pediu licença e disse que iria voltar outra hora.
Naquele mesmo dia o garoto apertou a campainha e foi a mesma coisa no dia seguinte e nos três dias  foi a mesma brincadeira sem graça. E na ultima vez que resolveu fazer isso ele correu e se escondeu atrás de um poste na esquina, no momento que ele estava ofegante apareceu o homem gentil do outro dia.
— Oi Bubu, tá cansado por quê?
— Oi tio, eu tava brincando de campainha.
— Campainha? Como é essa brincadeira?
— É fácil tio, é só apertar a campainha e sair o mais rápido possível para não ser pego pelo dono da casa! Tem que ser muito ninja!
— Nossa, é você não tem medo de ser pego  e  o pessoal da sua casa saber que você esta incomodando o vizinho? Alias você mora aqui perto?
— Moro na casa três da rua de baixo, é uma casa com umas samambaias na frente. Mas o dono da casa 7 nunca vai saber! 
— É mesmo? ! Nunca vai saber?
— Nunquinha!
—E se ele chegar de boa e você começar a conversar com ele você dizer: “  Oi tio, eu tava brincando de campainha” e você disser onde mora e coisa e tal ...?
— Como é que é?
Neste momento o menino ficou pálido e  não passava nenhum pensamento , a não ser de  deu merda , agora me ferrei bonito  “deu ruim” e “ me pegaram”.
— Na verdade eu já desconfiava que não fosse alguém da minha rua,  mas tudo ficou mais claro quando fui caminhar mais cedo e  você estava lá, prestes a  tentar incomodar  alguém mais uma vez . Para evitar cometer um erro de julgamento resolvi dar uma de “boa gente” e dei uma chance para ver se cansaria, e me deixaria em paz. Adivinha só! Você voltou e vou contar tudo para sua mãe!
— Não tio, minha mãe vai me matar, dá uma chance!
— Eu não deveria, porém vou dar uma chance.
— Valeu, posso ir agora?
— Mas antes, você deve saber que enquanto não parar de ficar tocando minha campainha você irá saber da pior forma o que é ser incomodado...
Então o garoto foi para casa e deu de ombros para as palavras do homem, não pretendendo cumprir a promessa feita e a tocou mais uma vez. Foi dormir e quando acordou notou que o toque do celular da mãe estava muito alto que chegava a doer o ouvido.  No caminho da escola um colega gritou (como é de se esperar daquela gente que grita mesmo quando esta há poucos metros de você) e sentiu como se estivesse gritando direto na orelha.
— Fala  baixo ai, chegou a doer o ouvido!
— Esta com dor de ouvido? E ai, borá tocar a campainha daquela casa?
—Melhor não, eu já enjoei!
— Tranquilo ein! Olha só o que meu pai me deu, é um pouco de rojão que sobrou porque o flamengo perdeu e não deu para estourar ontem!
— Bora lá estourar no muro da escola depois da aula?
E lá se foram os dois e na escola  o Bubu estava entediado  quieto na sala deu aula pois a professora estava explicando o conteúdo quando um colega  começou a estourar bolinhas de cola escolar ( aquela brincadeira fazer uma bolha com cola branca que  parece com papel bolha , apesar  de não ser a mesma satisfação de estourar) . Então  Bubu começou a ficar incomodando com aquele barulho  alem de outro batendo uma caneta nos dentes , um estalava as juntas dos dedos , uma menina que ficava riscando a beirada do caderno  e  até o passarinho na arvore próxima da janela   da sala.
Quando estava prestes a pedir para todo mundo fazer silencio a aula acabou com o sinal do final da aula tocando... Como um gongo de luta livre dentro dos tímpanos do infeliz!
Quando a aula acabou o garoto resolveu ir para casa logo, mas o tal amigo que queria estourar uns rojões ficou enchendo a porra do saco insistindo em explodir os tijolos do muro da escola. Bubu acabou concordando, mas pediu para ficar de longe com os ouvidos tapados, pois disse que estava com dor de ouvido. Quando o rojão estourou o coitado   chegou a ouvir uma sirene dentre da cabeça, mesmo com os ouvidos tapados e a quase dez metros do lugar, o que o levou a ir para a farmácia pedir um remédio , mas o farmacêutico recusou vender qualquer remédio para ele sem receita médica. O moleque foi para casa e resolveu ficar quieto e dormir mais cedo para ver se melhorava, entretanto mal dormiu aquela noite por causa do barulho do bar perto de casa que parecia ter aumentado o volume da musica brega, alem de sempre tem um espírito de porco egoísta que gosta de andar por ai ouvindo musica com se estivesse fazendo propaganda de suas musicas favoritas com o carro de som.
Pela manhã o garoto chato resolver ter a brilhante ideia de tocar a campainha do vizinho de novo — eu sei o que você esta pensando, que isso não vai dar certo— mas quando  tentou correr estava o dona da casa bem do lado dele com aquela cara de “você não aprende, né?!”.
— Sua mãe esta em casa?
— Mas ela esta dormindo, ela trabalhou a noite toda.
—Entendo, ela trabalho no posto de gasolina.
—Ela vai ficar chateada comigo.
— Realmente, seria muita filadaputagem falta de sensibilidade da minha parte incomoda-la por você (filho dela) causar problemas. Fora que você pode acabar  levando a pior nesta historia , não é mesmo?
— Então vai me deixar ir de boa?
— Mas é claro... Que não! Vamos lá conversar com sua mãe nesta bela manhã fria, que é ideal para tirar aquele cochilo!
Sabe aquela cara de alguém que trabalhou a noite toda, e que o ato de dormir passa ser um ritual solene de recuperação, descanso, que se for maculado por qualquer descrente acarreta uma retaliação iminente? Então, é assim que a mãe do Bubu se encontrava e estava prestes a reagir com qualquer ameaça ao seu sono.
No momento que o vizinho estava explicando a situação ela não olhava para ele, e sim para o filho com um olhar ameaçador. De cara ela não acreditou, mas depois que ela viu o vídeo no telefone do filho cometendo um ato infracional de perturbação da paz.
—O pode ficar tranquilo moço, eu garante que ele não vai mais te incomodar, pode ter certeza de que eu vou o chamar na chincha. Vai moleque, pede desculpa para o moço!
— Desculpa moço.
— Tudo bem então, desculpe atrapalhar seu descanso e a propósito, aceite este bolo como um ato de boa vontade.
— Esta cheirando bem, que fez?
—Eu mesmo quem fez.
— O tio, e meu ouvido?
— Que tem seu ouvido?
— Ele tem problema de ouvido? Não posso ajudar, não sou médico.
— Eu já falei para você lavar direito esse ouvido se não isso poderia acontecer, me deixa ver isso... 
O garoto foi ao medico naquele mesmo dia e o foi diagnosticado com uma infecção auditiva, foi passada uma medicação, e mãe a administrou juntamente com um corretivo (que não funcionou) na escola o garoto combinou com os colegas um teste de coragem: marcou com outros três colegas de ir até a casa do vizinho e roubar o interruptor da campainha (era uma daquelas sem fio de fixação com fita dupla face).  Um deles resolveu não participar afirmando que era quarta feira por isso tinha jogo na televisão, o outro disse que até poderia, mas estava tomando um remédio que dava muito sono e o ultimo disse de uma maneira educada: “vai lavar uma louça!”.
—Vocês são uns  arregões  covardes mesmo!
—Só não queremos passar vergonha como você vai passar essa noite!
— Vou levar a campainha para a escola e ai vocês vão ver quem vai passar vergonha.
— Na moral, desiste logo, você é muito fraco, vai ficar na sua pipa e no seu futebol...
— Alias, no futebol não! Pelo amor de deus, até nisso você é ruim!
Mais uma vez  o garoto foi tentar um caminho que vocês imaginam aonde vai dar...
Naquela noite, Bubu esperou a mãe sair para trabalhar e foi até a rua de cima, sozinho, não com coragem, mas guiado pela teimosia e cego pela burrice ele quase foi visto por uma viatura da policia, por solte conseguir esconder-se atrás de uma lixeira.  Finalmente conseguiu chegar ao destino desejado e tentou arrancar a campainha usando toda a sua força quando de repente ouviu um barulho de algo andando sobre o teto da casa e  reparou ao lado do interruptor algo escrito:
“ Se você não vai me deixar em paz e pedir desculpas, então vou ter que força-lo a isto...”
Viu algo que parecia um gato olhando para ele do alto da casa, quando a lua saiu de trás das nuvens ficou claro que não era um gato comum , era maior e com os olhos faiscantes e foi andando até Bubu fazendo um barulho como se disse-ser: O que faz aqui, humano?
O lendário espectro felino. By felixufes@gmail.com
Em uma tentativa de tentar sair dali tentou correr, mas o braço parecia estar preso em algo, mas conseguiu ao custo de uma camisa rasgada e uns arranhões. Voltou para casa com medo e o sentimento de vitória. Indo para a escola orgulhoso do “grande feito” .
No caminho encontrou outro colega e começaram a conversar e der repente um carro que estava do ledo dele estacionado começou a disparar o alarme e o dono logo desconfiou dos alunos...
—Vão embora daqui seus pivetes ou eu vou chamar a policia!
— A gente não fez nada não moço!
— Não quero saber, meu carro não é brinquedo!
E isso aconteceu com mais outros cinco carros e seis motos no caminho,  e por alguma razão as campainhas das casas também tocavam e era o mesmo som da campainha dão vizinho. Em frente aos portões do colégio, alguns alunos estavam com celulares ouvindo musica ou jogando de forma tranquila... Até o Bubu aparecer os aparelhos começarem a tocar com se recebessem a mesma chamada de um numero desconhecido. Ele chamou os colegas mais próximos para mostrar o artefato roubado, mas eles estavam muito ocupados tentando desligar os telefones, tiveram que retirar as baterias, e Bubu recebeu uma mensagem de texto dizendo “devolva”. Durante as aulas tudo corria bem e tudo o transtorno parecia só uma brincadeira passageira até que o celular do próprio Bubu começou a tocar durante uma prova da ultima aula, fazendo a professora manda-lo para a diretoria.   
— Então, como vamos fazer, você não sabia  da proibição do uso de celulares na sala ?
— Mas eu sempre deixo no modo silencioso, não imagino como foi tocar e justamente durante a prova!
—Vamos fazer o seguinte: Você não será suspenso...
—Show!
—Mas vou notificar a sua mãe!
— Não!
Indo para casa, pensando em tudo que estava acontecendo. Resolveu pedir dinheiro para o senhor Dimas, um senhor antigo do bairro a que Bubu vivia pedindo coisas dizendo que era em nome da mãe dele, na verdade, a mulher nunca sabia de nada. Havia um carro parado em frente à casa do idoso, era do filho policial visitando o pai,  chegando na frente da casa o garoto começou a gritar chamando o dono da casa, mesmo com uma campainha instalada na entrada ( vai entender, será precaução por alguma coisa?). Naquele momento tanto a campainha da casa quanto o alarme do carro começaram a tocar chamando a atenção do filho do dono da casa, com a arma em punho achando que era uma tentativa de roubo de carro.
—Ei garoto! O não corre não!
—Me deixa  moço! Fiz nada não! Só ia pedir dinheiro para o seu Dimas que minha mãe mandou!
—Vou lá conversar com a sua mãe!
Naquele dia, alem de ter problemas na escola o menino também teve problemas com a polícia, com a acusação de mendicância envolvendo o nome da própria mãe.
— Não sabia que ele estava pedindo dinheiro ao seu Dimas, achei que os coleguinhas estavam dando as coisas para meu filho, seu policial!
—Eu também sou pai e vou deixar passar desta vez, pois antes de vir para cá um cavalheiro conversou comigo sobre um roubo da campainha dele me falou da dificuldade que a senhora tem de tomar conta desta criança. Mas não quero mais ouvir falar de gente pedindo dinheiro para o meu pai.
—Tudo bem, pode deixar. Ele não vai pedir dinheiro!
—Acho bom mesmo.
—Vai para o seu quarto e depois conversamos menino!
—Sim senhora.
Agora de castigo, pensando em suas ações, começou a ouvir uma conversa na sala, parecia uma voz conhecida, e era, o vizinho dono da campainha roubada. A conversa parecida sobre ser sobre a o policial ter ido ali.  Quando estava tentando ouvir mais da conversa, começou um barulho estranho vindo da mochila de Bubu, era a campainha, mas o volume ia aumentando ao ponto der enlouquecedor para qualquer um! Em sequencia foi o celular dele,  o alarme do micro-ondas, do relógio de pulso...
— EU NÃO AGUENTO MAIS... CHEGA!!!!
Ele foi até a sala, desobedecendo a ordem da mãe que o tinha confinado no quarto. E olhou para o visitante tomando café com um sorriso sádico.
— GAROTO EU NÃO MANDEI VOCÊ FICAR NO SEU QUARTO?
Chorando ele começou a soluçar e repetir várias vezes: DESCULPA, DESCULPA...
— Toma a sua campainha, não quero mais brincar disso. Só quero ficar em paz, sem amolação, só queria Zuar um pouco com o senhor! Não sabe brincar não!
— Você que pegou a campainha do moço, devolve e pede desculpa!
E foi o que ele fez: Pegou a campainha na bolsa e devolveu a dono.
— Garoto, eu realmente espero que não tenha mais problemas com você e acho que realmente aprendeu a lição. Verdade! Para chegar ao ponto de ficar chorando assim não deve ser encenação. E digo mais, conversei com o senhor Dimas e eu falei com o policial (filho dele), com sua mãe e achamos o ideal você fazer uns favores para ele como ajudar a colocar o lixo dele para fora, varrer um pouco o quintal para compensar o dinheiro que você gastou dizendo ser em nome da sua mãe. Vamos fazer o seguinte, me da um abraço aqui e pede desculpas.
— Abraça o moço, filho e pede desculpas!
E ele falou baixinha no ouvido do garoto: “Quando você zomba alguém sempre zomba de volta”.
Por fim, o vizinho peculiar voltou para sua casa deixando um presente para aquela família, uma campainha novinha do mesmo tipo da dele...





segunda-feira, 14 de maio de 2012

2 conto.


Nem papai, nem mamãe.
De José Eduardo A.Felix  com revisão De Torresmo

A
ugusto chega às pressas depois do estágio, passa pela sala às pressas, ouve um barulho da pia ligada na cozinha e logo imagina que é a mãe preparando o almoço. Para não parecer “muito mal criado”, resolve anunciar a sua chegada com um sonoro:
- Oi mãe, cheguei! Vou tomar banho e desço logo para almoçar com você!
- Filho passa aqui na cozinha antes, temos visita!
Então, Augusto logo pensa que finalmente a mãe voltou a aceitar visitas em casa, algo que não ocorria desde o divorcio dos pais. Octavio, pai de augusto, tinha terminado o casamento de 25 anos pouco depois do filho começar a faculdade e ir morar em uma republica para estudantes em Jardim da Penha. Quando o rapaz entrou na cozinha, não esperava que a amiga da mãe fosse uma velha conhecida (era Natali, uma estudante de direito com quem ele tinha namorado durante quase um semestre, tinham rompido há algum tempo), era a última pessoa que esperava ver tomando café com a mãe.
- Mãe, o  que é que ela esta fazendo aqui?
- Filho eu estava vindo do supermercado e encontrei a Natali no meio do caminho, ela estava passeando de bicicleta e parou para me ajudar com as compras.
- Dona Édina, não foi nada afinal, a senhora sempre foi uma ótima sogra!
- Pois é, ela foi , assim como você foi minha namorada e agora você deveria ir e dizer um sonoro “Fui”, isso antes de bater a porta na saída.
Para o leitor que não esta entendendo muito bem, é necessário explicar melhor os fatos do presente voltando alguns meses, quando os pais de Augusto ainda eram casados e ele ainda era um calouro de direito. Durante toda a infância, ele e Camila (sua irmã mais velha) eram a razão da vida de Octavio e Édina (um casal de classe media, ele era advogado e ela era dona de casa). Era conhecida como um modelo de família ideal pelos vizinhos e amigos, digna de um comercial de margarina, mas as aparências enganam, um nem sentia mais tesão pelo outro e o relacionamento conjugal, que há tempos não era o mesmo, começou a cair quando a Camila terminou a faculdade de enfermagem e foi trabalhar em outra cidade, indo morar em um apartamento quilômetros distantes  dali. Não demorou muito o caçula foi morar fora depois de começar o curso de direito. Aliás, foi  nesta faculdade que Augusto conheceu Natali, ambos tinham passado ao mesmo tempo no vestibular, conversavam muito e começaram a ficar no meio do segundo semestre a algum tempo depois começaram a namorar. Apesar de terem praticamente a mesma idade, Natali praticamente adotou o garoto:
Ela o levou para conhecer várias pessoas e festas, ajudava-o nos estudos como uma professora, quando iam ao shopping ela ficava encarregada de contrabandear levar lanches para os dois terem uma comida mais saudável, sendo ela responsável pela diminuição do consumo de carne do rapaz durante a semana. Quando finalmente chega a hora de apresentar a namorada para aos pais, nada não poderia ter sido melhor:
- Pai, mãe, essa é a Natali, e Natali, esses são Octavio e Édina, meus pais.
- Seja bem vinda minha filha, nossa como você é linda.
- Obrigada, a senhora também é.
Depois de muitos cumprimentos, jantaram e a mãe mostrou à nora as fotos do filho enquanto isso o pai o chama para a varanda e onde tem uma conversa:
- Então pai, gostou da Nati, ela não era exatamente como eu te falei?
- Augusto, ela é sim muito simpática, bonita e te digo mais ela lembra muito a sua mãe quando ela era jovem, a semelhança chega ser assombrosa, você realmente ama mesmo esta garota?
- Que pergunta pai, claro que amo! Ela é demais, não entendo o porquê da sua pergunta.
- Então me deixe ser mais claro: você notou que eu e a sua mãe não nos damos tão bem como antes e tudo tem piorado desde que você e a sua irmã saíram de casa, digo isso porque você já tem idade para saber destas coisas. Não me leva a mau, mas sua mãe é uma ótima mulher, para cuidar dos filhos, mas parece que não ser mais a melhor esposa para mim, consegue entender?
- Eu não estou entendendo, o que o senhor está querendo me dizer? Aonde você quer chegar?
- Quero-te dizer que é melhor que não tenha um relacionamento mais sério com essa garota, ou acabara tendo uma ótima mãe para seus filhos, mas não um boa companheira na cama para outras coisas. Para o seu bem, espero que isso seja apenas uma aventura amorosa.
- Mas pai, eu acho que o senhor deve estar enganado, mesmo que a Natali lembre a mamãe, o que te garante que ela não será uma boa esposa?
- Filho, você ainda é novo e não tem certeza do que quer realmente para toda a sua vida, eu tenho total convicção do que estou falando. E te digo mais, você  lembra há mim quando tinha a sua idade: um sonhador, apaixonado e talvez por isso que casei com a sua mãe tão cedo quando mal tinha acabado a graduação. Mas deixemos isso de lado por enquanto, afinal, eu gostaria de saber sobre o estagio que estou reservando para você, lá no escritório.
Enquanto isso, no quarto de Édina, onde sogra e nora estão vendo as fotos do álbum de família no computador:
- Nossa o Augusto sempre foi tão lindo desde pequeno, nunca imaginei que ele fosse loiro quando criança.
- Isso porque você não conheceu a irmã dele, até hoje ela tem essa cor de cabelo, ela só não veio hoje por estar trabalhando.
- Me falaram que ela é enfermeira, trabalha aonde?
-Acabou de ser contratada para trabalhar num hospital particular, e está agora fazendo uma pós-graduação, vocês vão se dar muito bem quando se conhecerem. Mas me conta como foi que você conseguiu fazer o meu filho comer menos carne e mais comida saudável?
- No inicio foi difícil, mas com incentivo libidinal com o incentivo adequado, fica mais fácil!
-Sabe que eu o convencia a comer mais salada prometendo em troca mais sobremesa e funcionava muito bem, mas tive que parar com isso ou ele poderia ficar com problema de peso. E por isso gostaria que você cuida-se bem do meu bebê, ele ainda é muito relaxado com a alimentação: gosta de comer besteira na rua, gosta  de ir ao Macdonalds...
- No que depender de mim ele vai ter uma alimentação tão saudável que vai parecer que ele namora uma nutricionista.
E no dia seguinte, depois da aula o Augusto encontra um amigo dos tempos de vestibular, era Jorge (que agora estava fazendo o curso de filosofia), os dois foram para um bar onde depois de alguns drinques ele desabafou:
- Olha, é muito bom te ver cara, eu tava precisando de alguém para conversar.
- Tudo bem, mas qual é o problema? Dinheiro eu sei que não é, então ou é saúde ou é mulher?
Então ele conta com detalhes a conversa que teve com o pai, mas foi de uma maneira tão minuciosa  que faria inveja a qualquer estagiário de pesquisa cientifica. Então o amigo opinou:
- Olha, eu uma vez fiquei com uma garota da psicologia, uma pessoa até legal, a única coisa que entendi quando ela falava de  psicanálise era o lance do Édipo. Se não me engano o lance que seu pai falou é o seguinte: “Você tende a procurar uma mulher que é parecida ou igual a sua mãe, seu pai não quer você fique com alguém que é igual a sua mãe. Logo, seria como você casa-se com a sua mãe” entendeu?
Neste momento o rapaz, depois de ouvir a explicação a la psicanálise de botequim  bem leiga do amigo, ele fica em silencio por tortuosos dez segundos e  replica com um ar de humor e descrença:
- Ah!, para de brincadeira, Jorge!
-Não, não to brincando não, é serio, quando mais você negar, mais evidente fica!
-Ah!,porra nenhuma de jeito nenhum, eu não posso acreditar nisso, afinal a minha namorada não lembra nada a minha mãe!
- Pensa bem, seu pai não tirou isso do nada...
- Tá supondo que eu acredite nisso, não anularia tal teoria?
- Não, eu te digo que o primeiro passo para se chegar à solução é admitir o problema, e ai? Vai admitir?
-Quer saber de uma coisa, vamos voltar a beber e falar de futebol, você como um terapeuta é um bom bebedor...
(...)
Naquela noite Augusto não conseguiu dormir tranquilamente, não deixava de pensar no que Jorge tinha falado sobre o complexo de Édipo, chegando ao ponto de ter terríveis pesadelos envolvendo..., bem, deixemos isso a cargo da imaginação do leitor. No tempo que ficava acordado pensava : “será que isso é verdade ou só estou levando muito a serio
Na manhã seguinte, o estudante chegou a minutos antes de começar a aula (isso depois de beber um café expresso bem reforçado na cantina)  alguns que estavam presentes olharam preocupados para o colega exausto, logo ele, tão  tranquilo e que nunca chegava atrasado... qual foi a catástrofe que possibilitou tal acontecimento?
Durante a aula vários pensamentos lhe ocorriam:
- Puta merda, não to conseguindo prestar atenção nesta aula, mas eu mal me aguento acordado! Não sei o porquê da minha conversa com o Jorge estar me assombrando tanto, será que a Nati é mesmo parecida com a minha mãe ou estou apenas impressionado com uma teoria mal explicada?  Tá certo que o Jorge é estudante de filosofia e não fez nenhum curso de psicanálise, mas se ele sacar pelo menos a base da teoria? , não, não posso deixar esta ideia me dominar, vou ficar numa boa, tenho que ver pelo lado bom:  mesmo se minha namorada lembrar mesmo a minha mãe... , pera ai, se eu for semelhante ao meu pai é sinal de que no futuro eu me casarei e eu e a minha esposa seremos um casal perfeito, assim como meus pais são (um casal feliz com vinte e cinco anos de matrimonio, felizes até o final da vida), não tem como nada dar errado!
E olhando para Natali na mesa ao lado ele acena com um sorriso bem satisfeito, pensando em um futuro ter uma vida feliz ao lado da mulher que ama, assim como seu pai. Um futuro perfeito e com um apartamento onde passaria os últimos dias da vida sem nunca divorciar-se.
Em uma bela tarde ele resolve visitar os pais, ele é recebido pela mãe:
- Guto, como você está?!
-Ei mãe, como estão as coisas, resolvi dar uma passadinha aqui...
- Mas justo com essa camisa xadrez? Eu já disse que isso parece uma toalha de piquenique, alias cadê aquele doce de pessoa da Natali?
- Pô mãe!,não gosto quando a senhora implica com as minhas roupas, isso ta na moda. A Nati teve que fazer um trabalho na casa de uma amiga, mas acabou de me ligar...
Segundos depois a campainha toca, era a Nati, que cumprimentou a sogra e o namorado e logo fez o seguinte comentário:
-  Pô amor, achei que você tinha jogado fora essa camisa.
-Não gostou?
-Tá brincando, isso parece uma toalha de piquenique!
Então Augusto começou a pensar, se talvez não fosse uma simples coincidência? 
- O seu Octavio não esta em casa?
- Não, ele esta viajando, vai haver uma audiência no interior do estado, vamos fazer um lanche, quero saber as novidades, o Octavio comprou queijo e presunto antes de sair.
Durante o lanche da tarde o rapaz sentia-se fiscalizado, tanto pela mãe quanto pela namorada, ele mal podia comer sem ser censurado, parecia mais um curso de etiqueta à mesa. Mas ele também era paparicado pelas duas, sempre perguntavam se ele queria mais leite, se o sanduíche estava bom..., ele foi tratado como um verdadeiro príncipe, com direito até a limparem a boca dele com guardanapo.
Na noite seguinte Augusto conta a Jorge as semelhanças entre a mãe e a namorada, alem de relatar a preocupação que isso lhe causava. O amigo colocou a mão no queixo, respirou fundo e tentou acalma-lo:
- Cara, eu acho  que você levou muito a serio o que eu falei, eu estava bêbado, alias, nós dois estávamos. Por outro lado você deve pensar bem no que vai fazer, essa sua garota parece ser ideal para você...
-Eu gosto dela, mas está ficando estranho, você ficaria espantado como é namorar alguém que lembra a sua mãe, só de pensar é bizarro!
- Eu não devia ter comentado sobre uma teoria que não domino, agora olha para você: Está delirando, não dorme...
- A culpa é sua! Se não tivesse me aberto os olhos, se eu não tivesse ouvido, ainda estaria feliz curtindo a minha ignorância!
- Calma me deixa tentar te absolver desta culpa: A dona Édina é sua mãe, certo?!
-Sim, mas o que você quer dizer com o óbvio?
-Calma você tá nervoso, vou explicar melhor, ou pelo menos tentar. Eu só queria te dizer a seguinte coisa: Você teve como primeiro modelo de mulher ideal a sua mãe, o que de certa forma levaria você a escolher uma mulher com as características da sua mãe. Entendeu?
- Então eu acho que entendi!
- Até que enfim, eu já estava ficando preocupado, estava achando que os artigos da Wikipédia que eu li não estavam ajudando. Mas diga se tudo esta ficando mais tranquilo agora.
- Tá ficando, quer dizer que eu busco uma mulher com as características semelhantes da minha mãe, por ela ser meu primeiro modelo de mulher ideal, não é isso?
- É por ai, na verdade eu devo te dizer que você tem uma atração por sua mãe, lembra que você me contou que costumava dormir na cama dos seus pais quando tinha pesadelos e pedir para dona Édina te abraçar, isso você deveria ter uns cinco anos de idade. Então em um belo dia seu pai te barrou na porta do quarto de casal e te deu um esporro te chamou a atenção e te disse as celebres palavras...
- Como eu poderia esquecer, lembro até hoje:
“A mãe é sua, mas a mulher é minha. E ai?!, vai encarar?”
- Espera aí você acabou de me dizer que esse negócio de complexo de Édipo significa que gostei da minha mãe, mas meu pai meio que me “cortou as asas”?
- Na verdade acho que aí estamos falando mais é de castração.
- O que, meu pai quer me castrar? Meu próprio pai quer me capar?
-Não cara, deixa isso pra lá, o que quero dizer é que como não poderia ter acesso à mãe por ser a mulher de seu pai, você buscou ter ele como um modelo de homem ideal e...
- Meu pai como um modelo de homem ideal? Você esta me estranhando, não quero nenhum homem para mim!, Ideal ou não.
- Para de pensar besteira que vou agora te livrar de toda a preocupação. Não me interrompa.
-  Tá então fala logo caralho criatura!
- Mais uma vez calma, você esta nervoso, agora entenda. Quando falei modelo de homem ideal, eu quis dizer que: é o tipo de homem ideal que você gostaria de se tornar, entendeu?
- Ata, agora entendi, mas então isso explicaria o porquê da minha escolha pela faculdade de direito..., mas continue explicando.
- Então você resolve seguir o exemplo do seu pai, e sendo tão bom quanto ele, você poderia conseguir uma mulher tão maravilhosa quanto a dele, fui claro?
- Acho que, entendi tudo faz sentido agora, e sei o que devo fazer!
- O que você vai fazer?
- Antes de tudo ficar feliz por meus pais estarem casados, pois assim não corre risco de eu tentar competir novamente pelo amor de minha mãe como na infância!
- Como é que é?
- Sim, e para fugir de vez desta teoria eu devo tomar uma medida o mais rápido possível. Jorge, muito obrigado eu já vou indo, da próxima vez eu é que pago a rodada, fui!
Então Gustavo parte com um olhar próprio de quem vai fazer uma grande besteira, deixando o amigo pensando: “Será que ele realmente entendeu o que eu quis dizer?”
Mais tarde ele vai até o apartamento da namorada que o esperava usando uma blusa laranja com o desenho do deus hindu Ganesha[1]. Ele pergunta se ela esta sozinha e ela responde  dizendo que as outras garotas que dividem o aluguel voltaram para os lares no interior do estado, visto que passou o período de provas finais.
- E ai Guto, veio me fazer uma vizita ou veio me chamar para sair?
- Na verdade vim para agente conversar sobre um assunto delicado, posso entrar?
- Claro, mas qual é o assunto ?
- É difícil de explicar, eu fico confuso...
Neste momento a garota percebe a fragilidade do rapaz e o aconchega junto ao peito, igualzinho a mãe dele fazia quando era pequeno.
-Então vem cá, fica calmo e me fala: o que tá te deixando tão confuso, alguém te fez alguma coisa?
- Não Nati!  Para!,  Deixa eu falar , é justamente sobre isto que eu queria falar!
- Não estou entendendo, dá para você me explicar?
-Acho que não devemos mais..., acho que tá ficando complicado para mim ficar contigo...
- Para mim não, é para eu!
- Tá vendo isso, você tá parecendo minha mãe!
Então ele tenta buscar justificativas nas teorias explicadas pelo amigo da filosofia, mas ele acaba de se enrolar e os dois acabam caindo nos clássicos jargões: você não me dá espaço suficiente, não gosto da maneira que você se veste, etc...
Por fim, ele sai correndo do local entra no ônibus e vai para casa. No caminho ele reflete sobre tudo que aconteceu e conclui que foi melhor assim, seria melhor não se relacionar com pessoas semelhantes a qualquer parente, principalmente de primeiro grau. Resolve encontrar os pais em casa para falar do final do namoro, mas para a sua surpresa o seu telefone toca e é o número do celular do pai, chamando-o em casa para uma reunião de emergência. O que ele não poderia adivinhar é que os pais estavam para anunciar o fim do casamento. Eles justificaram a decisão dizendo  que o casamento era mantido  pelos filhos, mas como todos já tinham saído de casa, não viam mais razão para viverem juntos, pois o amor um pelo outro havia acabado faz tempo e já não eram mais um casal, mas  apenas pai e mãe.
- Filho, nós já conversamos com a sua irmã antes por ela já estar sabendo de tudo há muito tempo, e esperamos que você compreenda. Aliás, gostaríamos que você começasse logo o estágio no escritório do seu pai, achamos que isso vai te ajudar a amadurecer e seria bom ter mais responsabilidades, afinal: “Você a partir de agora será o homem da casa”.
Ao ouvir estas ultimas palavras: “ a partir de agora você será o homem da casa”!
Ele começou a imaginar como seria a sua vida daqui para frente, sem o pai para ser o esposo da mãe, agora é como se Laio estivesse morto e deixou o caminho para o filho se encontrar com a mãe e assumir o trono do palácio. Mas ele se considerava diferente de Édipo, pois neste caso ele teria total consciência do que estaria fazendo, portanto nada poderia interferir no plano de frustrar a teoria Freudiana (pelo menos assim ele pensava). Mas sem namorada, e com o semestre acabando, não lhe restava muita coisa a não ser apoiar a mãe neste momento e estagiar o máximo possível, conseguir tocar a vida na certeza de não ser tapeado pelo destino, afinal de contas, ele ainda contava com a ajuda do amigo Jorge. Então quando acabou de ouvir que ele teria que deixar a republica estudantil e começar a estagiar, ele simplesmente respondeu com um discreto “tá bom, tudo bem”, mas foi um tudo bem no estilo “puta que pariu, vocês são brincadeira, eu faço de tudo para levar a minha vida numa boa: tento tirar as melhores notas, venho visitar você sempre que posso, até trago a minha namorada para todo mundo conhecer, não reclamo de nada e é assim que vocês me agradecem ? fudendo acabando com o meu esquema? Custava continuarem casados até eu me casar?”.
Depois disto o tempo passou, como se as horas virassem minutos e os minutos, segundos. Augusto, agora estagiário de direito mal para em casa, às vezes tem que viajar com o pai e com o sócio do escritório, tal de Príapo. Já não tinha mais notícias de Natali e se preocupava com a mãe, pois ela não recebia mais visitas em casa, não saia e achavam até que estava com depressão. E em uma destas vezes que voltou de viagem ele passou primeiro no escritório onde deixou as petições e foi correndo direto para casa para almoçar e descansar. Justamente nesta ocasião ele se surpreende vendo a antiga namorada conversando com a mãe. Depois de avaliar a situação e ver que o destino ou qualquer outra entidade estaria tramando um plano de uma tragédia grega. Augusto pensa: “o Édipo ta tentando me pegar, mas eu não vou deixar, não importa o que custe eu vou fugir!”.
Augusto tenta manter a calma, mas sem deixar de lado a indignação com a ex-namorada, e por causa deste ato de grosseria  leva um esporro da mãe  leva uma bronca de sua genitora:
- Não admito que você trate esta menina deste jeito, só porque vocês terminaram isso não te dá o direito de tratá-la com tanta grosseria, além do mais ela é minha convidada, e alias não é a única!
- Mas mãe, não é certo você convidar a ex do filho para vir na sua casa, onde estão os bons e velhos costumes?
- A única coisa velha aqui é a sua maneira de tratar as mulheres, por acaso te criei para ser um troglodita ou um bárbaro qualquer?
- Édina, não precisa me defender, ele deve ter tido uma viagem difícil...
- Como assim “Édina” o que houve com o “dona Édina” desde quando vocês estão tão íntimas assim?
- Desde que você ficou estagiando e não parando em casa, até agora não sei o que você faz que não para em casa e me deixa sozinha em casa, por acaso tem vergonha de ficar em casa com sua mãe?
- Não, já conversei sobre isto, eu gosto de sair com os amigos e fazer uns serviços extras para o sócio do meu pai, ele tem um clube e me escolheu para cuidar da documentação.
“Sim, ele cuidava da documentação, e aproveitava para interagir” com as funcionarias do estabelecimento, salvo exceções. Este clube era nada mais nada menos do que um lugar de muito divertimento para artistas, atletas bem sucedidos e pessoas da alta sociedade. Um lugar proibido para menores de dezoito anos, com pequenas exceções.
Depois dos ânimos se acalmarem, logo chegaram a um acordo, não demorou muito a campainha (que tinha um som um tanto diferente do que Augusto se lembrava) toca, esta foi a oportunidade de atender a porta e sair daquela atmosfera carregada. Para sua surpresa quem está na entrada da casa é seu amigo da filosofia.
- Jorge, bom te ver cara , eu tava precisando de alguém para me ajudar, sabe a minha ex namorada ? , ela tá aí, então você poderia me dar uma força?
- Olha Guto, acho que como sempre você está sendo muito impulsivo e não procura avaliar a situação com cuidado.
- Como assim? Você não veio fazer uma vizita ao seu brother?
- Cara, eu vim aqui como convidado da sua mãe, ela me chamou para almoçar.
- Desde quando você frequenta a minha casa sem ser convidado por mim?
- Olha a sua mãe ligou pra mim porque estava preocupada com você. Por causa da sua dedicação exagerada ao estágio e a sua disposição às viagens do escritório. Guto você não para em casa nem para descansar, parece que esta fugindo de alguma coisa, aliás parece que você anda fugindo de tudo. Então vim aqui umas vezes para conversar com ela.
- Eu, Fugindo? Você deve estar filosofando demais, eu não fujo de nada, eu só estou amadurecendo, quero ser uma pessoa independente como meu pai e coisa e tal.
- É mesmo? Então porque você aceitou voltar para casa e deixar a república estudantil logo que seus pais se divorciaram e te ofereceram um estágio? Por acaso aceitar os destinos que os outros escolhem para você não é a mesma coisa de ser passivo e dependente? Porque você nunca aceitou estagiar antes?
-Eu acho que você andou fumando alguma coisa a caminho daqui, eu não faço a mínima ideia do que você está falando!
Édina vai ver o porquê da demora do filho e quando vê o amigo do filho abre um sorriso, dá um abraço caloroso e um beijo na face dele como se fosse o filho prodigo.
- Jorginho que bom você vir, gostei do som da nova campainha que você instalou,depois do almoço você poderia consertar a estante da biblioteca? Você é o anjo que pedi a Deus!
- Espera ai! Como assim consertar a estante da biblioteca, não era eu que ia fazer isto na minha folga?
- Você estagiando e fazendo serviços por fora, concertando alguma coisa? Se eu fosse esperar por você a calha da varanda estaria ainda entupida e cheia de larvas do mosquito da dengue e quem você acha que pintou a varanda?
- Quer dizer que o Jorge anda fazendo serviços aqui e não me falou nada?
- Meu caro eu tentei avisar que eu ia à sua casa, mas sempre você não atendia as minhas ligações, não é por causa daquele assunto da psicanálise, não é?
- Não fale deste assunto na minha casa, principalmente na frente da minha mãe!
- Relaxa Guto, eu já sei de tudo, não existem segredos entre mim e o Jorginho. Mas não posso acreditar que você, um estudante de direito não teve a curiosidade de ler outra coisa que não seja o Vade-mécum[i] e a legislação brasileira.
- E ela não é a única com quem compartilho o que sei, também tem a Nati!
- Não me diga que vocês também se conhecem, eu nunca te apresentei a ela?
- Não, mas a Édina apresentou-me semana passada quando limpei o seu computador e nos damos muito bem, aliás você deveria atualizar o antivírus e evitar certos sites, isso evitaria grande partes de seus problemas.
- Mas você tá pegando ela? Ou o que?
- “Pegar”?! Francamente, achei que você fosse mais cavalheiro. Como que você foi terminar com uma pessoa tão adorável?
-Bem chega de conversa vamos que a Nati já acabou de por a mesa. Jorge não se esqueça de...
- Lavar as mãos, pode deixar não precisa pedir duas vezes!
-Guto você vem depois, não é? Afinal você ia tomar banho ainda.
E todos se prepararam para comer, o estagiário de direito recebe uma ligação do pai pedindo para ele descansar bastante, pois haveria um audiência da guarda de uma criança de 12 anos no dia seguinte. Aproveitando o momento, Guto pergunta ao pai:
“O senhor se orgulha de mim?”
Então o pai responde com pressa e rispidamente:
“Mas é claro que sim, afinal, você é o melhor estagiário que temos, nunca tínhamos alguém que aceitasse viajar e fazer hora extra até nos feriados, nem mesmo eu quando tinha a sua idade era tão entregue ao trabalho. Mas eu não era mais entregue porque estava namorando a sua mãe, agora vou desligar, pois tenho que ir almoçar. Até mais!”
Então depois de tomar banho, Augusto estava descendo as escadas e viu aquela cena:
A mãe, a ex-namorada e o amigo almoçando, fazendo o lembrar de momentos nostálgicos de quando a família se reunia todo domingo para almoçar depois da igreja. Mas agora ele não conseguiu ver um lugar para ele à mesa, nem mesmo a namorada ele tinha, a mãe não fez o prato dele como era de costume, ele sentia falta até mesmo das tarefas de casa realizadas no final de semana, como limpar o gramado, concertar as coisas da casa...
Tudo que era dele, tudo do qual ele havia fugido por medo de comprovar uma teoria mal compreendida por ele agora era de Jorge, seu único amigo. Seu pai o respeitava como um funcionário mas será que o respeitava como filho?
Mas a pergunta mais importante seria:
“será que havia lugar para ele fora do trabalho?”




[1] Deus hindu geralmente representado com cabeça de elefante e com quatro braços, sendo associado à sabedoria e às soluções lógicas.


[i] Livro que contem códigos penais, é usado por estudantes de direito e advogados formados.